Devocional

Capa do livro A Vinha do Pai, de J. L. de Moraes

A Vinha do Pai

Uma jornada de 21 dias

Edição impressa · 218 páginas · ISBN 978-65-02-34813-0

Existe um convite com o seu nome

E ele não depende do seu passado.

Existe uma praça, em toda geração, onde pessoas ficam paradas esperando que alguém as chame para trabalhar. Foi exatamente ali que o Senhor da vinha foi buscar os seus trabalhadores. E é ali que Ele continua indo.

Este devocional conduz o leitor por três movimentos, ao longo de vinte e um dias — do momento em que se ouve a voz até o dia em que se sai a semear.

Semana 1

O Chamado

A descoberta de que existe um convite dirigido a você, e que ele não depende do seu passado.

Semana 2

A Capacitação

O processo pelo qual Deus equipa quem chamou, com tudo que isso envolve de permanência, poda e dependência.

Semana 3

A Missão

A saída para o campo, com tudo que ela custa e tudo que ela promete.

Cada dia traz um texto bíblico, uma reflexão direta, um desafio prático, uma declaração para ser dita em voz alta com a família ou com irmãos em Cristo, e espaço para anotações pessoais.

Ao final, o leitor não terá apenas concluído um livro. Terá assumido uma identidade: a de cooperador na obra de Deus nesta terra.

Quem escreve

Este livro não nasceu de uma vida impecável.

J. L. de Moraes nasceu em Teresina e cresceu em Davi-Caldas, zona rural de União, no Piauí, às margens do Rio Parnaíba. Começou a trabalhar aos oito anos, cortando madeira no mato para fazer carvão e ajudar no sustento da casa.

Duas vezes, ainda menino, escapou da morte sem sequer saber quem Deus era — uma delas sozinho no mato, depois que um machado escapou do cabo; outra no meio do Rio Parnaíba, quando as forças faltaram e um ribeirinho mergulhou para tirá-lo da água.

Em 2010, perdeu o irmão Railson, assassinado na saída de uma festa. Passou dois anos da própria juventude procurando vingança, noite após noite. Precisou deixar a cidade onde cresceu para não transformar aquela dor em mais tragédia.

Foi alcançado por Cristo em julho de 2025 — e de um jeito improvável: tentando levar outra pessoa a um retiro do qual ele mesmo vinha fugindo havia anos. Naquele fim de semana, escolheu perdoar o homem que matou seu irmão. Um peso de quinze anos saiu das suas costas.

Escrevo este devocional não como quem já chegou, mas como quem ainda caminha.

É casado com Maria Clara e pai de Agatha, Aegon e Agnes. Vive em União, no Piauí, onde divide com o vizinho e irmão Seu Cláudio a calçada onde nasceu boa parte destas páginas.

Leia o primeiro dia

Na íntegra, exatamente como está no livro.

Dia 1

A Voz que Chama

O Reino dos Céus é como um proprietário que, ainda de madrugada, saiu em busca de trabalhadores para sua vinha. cf. Mateus 20:1

Havia um homem em Israel, no primeiro século, que nunca teve seu nome escrito em nenhum evangelho. Ele estava sentado na praça da cidade desde o amanhecer, junto a outros como ele — homens de mãos calejadas e olhos cansados, esperando que alguém, qualquer um, precisasse de força de trabalho por um dia. Naquela época, quem não era contratado ao raiar do sol simplesmente não comia à noite. A praça era o lugar dos esquecidos, dos que sobravam.

Foi ali, entre os que ninguém tinha escolhido ainda, que um proprietário apareceu.

Ele não mandou um mensageiro. Não enviou um capataz. O dono da vinha foi, ele mesmo, de madrugada, procurar quem trabalharia ao seu lado. E o texto diz algo que merece nossa atenção antes de qualquer outra coisa: ele voltou à praça às nove horas, ao meio-dia, às três da tarde e, por fim, às cinco — quando faltava apenas uma hora para o dia de trabalho terminar. Em cada uma dessas idas, ele encontrou gente parada, sem ninguém que a tivesse contratado, e disse a mesma frase: “Ide também vós para a vinha.”

Esse é o primeiro retrato que a Bíblia nos dá do chamado de Deus: Ele não espera que cheguemos até Ele. Ele desce até a praça onde estamos parados.

O lugar onde você está parado

Talvez você esteja lendo estas palavras num momento da vida em que se sente exatamente como aqueles homens na praça: disponível, mas não escolhido. Capaz, mas não convocado. Você olha ao redor e vê pessoas que parecem ter encontrado seu lugar — na igreja, no ministério, na vida — enquanto você ainda espera, sem saber ao certo se alguém vai chamar seu nome.

Esse sentimento não é incomum. E a boa notícia é que ele não é o fim da sua história — é exatamente o ponto onde a parábola de Jesus começa.

Repare que o Senhor da vinha nunca pergunta por que aquelas pessoas ainda estavam desocupadas às cinco da tarde. Ele não exige explicações, não cobra currículo, não avalia se o dia perdido foi culpa delas ou de quem nunca as chamou. Ele simplesmente diz: “Há lugar. Vinde.”

Essa é a primeira verdade que este livro quer plantar em você, como semente no primeiro dia: o chamado de Deus não nasce do seu mérito, nasce da iniciativa Dele. Antes que você tivesse qualquer condição de merecer um lugar na vinha, o Dono já tinha saído à sua procura.

Uma vinha que já existia antes de você

É importante entendermos algo que muitas vezes passa despercebido: a vinha da parábola já existia antes de qualquer trabalhador chegar. As videiras já estavam plantadas. A terra já tinha sido preparada. Ninguém foi chamado para criar a vinha — foram chamados para cuidar dela.

Isso muda completamente o peso que carregamos quando pensamos em servir a Deus. Você não foi convocado para inventar a obra, para sustentar sozinho o que só Deus pode sustentar, nem para ser o motivo pelo qual a vinha continua de pé. Você foi chamado para entrar num projeto que é, do início ao fim, do Pai. A vinha é d’Ele. O trabalho é n’Ele. E o convite — esse é para você.

Há um alívio profundo nessa verdade. Muitos cristãos vivem exaustos, tentando carregar sozinhos o peso do Reino, como se tudo dependesse do seu esforço, da sua performance, da sua capacidade de nunca falhar. Mas a parábola nos devolve à posição correta: somos trabalhadores convidados, não donos sobrecarregados. E um trabalhador convidado pode confiar no Dono da vinha — inclusive quando não entende os métodos Dele.

A voz que ainda chama hoje

A cena da parábola não ficou presa ao passado. O mesmo Senhor que saiu de madrugada continua saindo, hoje, às diferentes “horas” da vida de cada pessoa. Alguns são chamados na juventude, ainda de manhã, com o dia inteiro de trabalho pela frente. Outros são chamados ao meio-dia da vida, em meio às responsabilidades e às urgências do cotidiano. E há aqueles que só ouvem a voz do Senhor quando o relógio já marca cinco da tarde — depois de décadas de vida, de erros, de tentativas frustradas, de um coração que já tinha desistido de ser útil para qualquer coisa que valesse a pena.

Se você está começando esta jornada de 21 dias se perguntando se ainda há tempo, se ainda há lugar, a resposta da parábola é definitiva: sim. O Senhor da vinha não fecha a contratação ao meio-dia. Ele volta à praça até a última hora do dia, porque o que Ele quer não é apenas mão de obra — é gente. É você.

O motorista que não desistiu de me convidar

Eu fui, durante anos, o homem parado na praça que ouvia o chamado e fingia não ter escutado.

Em dois mil e vinte e quatro, comecei a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação da minha cidade. O motorista que me levava às inspeções nas escolas, Seu Aluísio, é um homem de Deus. Praticamente em toda viagem ele falava de Jesus comigo e insistia que eu deveria ir a um retiro chamado Encontro com Deus. Eu ouvia, respondia por educação, e seguia a vida. Não era hostilidade — era indiferença, que às vezes é pior.

O que eu não sabia é que aquele convite repetido, viagem após viagem, era o Senhor da vinha voltando à praça. Às nove. Ao meio-dia. Às três. Às cinco. Eu simplesmente não estava contando as horas.

O detalhe mais curioso é como fui finalmente alcançado. Em dois mil e vinte e cinco, um vizinho e amigo, Seu Cláudio, me levou à casa de um conhecido dele dominado pelo álcool. Vendo a situação daquele homem, lembrei das palavras que Seu Aluísio me dizia no carro — e pensei que ele, não eu, é quem precisava daquele retiro. Procurei Aluísio, contei o caso, e fomos os três até a casa do rapaz para convidá-lo. Depois de uma conversa longa, veio a resposta: ele só iria se Cláudio fosse. E Cláudio respondeu que só iria se eu fosse.

Foi assim, tentando levar outra pessoa para a vinha, que eu mesmo acabei aceitando o convite que vinha ignorando havia anos. O homem que motivou toda aquela articulação desistiu na véspera. Eu e Cláudio fomos assim mesmo — e aquele foi o melhor fim de semana das nossas vidas.

Conto isso porque talvez você esteja recebendo, agora, o mesmo tipo de convite discreto e insistente que recebi por meses sem levar a sério: um irmão que insiste, um amigo que chama, um livro que caiu na sua mão. A voz que chama raramente vem com trombetas. Muitas vezes ela vem no banco do carona, numa viagem de trabalho, com a voz de alguém que se recusa a desistir de você.

Ouvir é o primeiro ato de obediência

Antes de qualquer trabalho, antes de qualquer fruto, antes de qualquer desafio que este livro vai propor para os próximos vinte dias, existe um único passo que precisa acontecer primeiro: você precisa parar de olhar para a praça e começar a ouvir a voz que chama.

Isso pode parecer óbvio, mas não é. É possível estar sentado na praça, ano após ano, ouvindo o convite e escolhendo continuar sentado — seja por medo, por descrença de que exista lugar para alguém como você, ou pelo simples hábito de esperar sem agir. A parábola não registra nenhum trabalhador que tenha recusado o convite. Todos os que foram chamados, foram. Mas quantos, na vida real, continuam na praça, ouvindo a voz e fingindo não ter ouvido?

Este devocional não foi escrito para pessoas que já resolveram tudo sobre sua fé. Foi escrito para quem, como aqueles homens na praça, ainda está entendendo o que significa ser chamado — e decidindo, dia após dia, responder a esse chamado com os pés, não apenas com os ouvidos.

Antes de seguirmos

Nos próximos vinte dias, vamos caminhar juntos por uma jornada que começa aqui, no chamado, passa pela capacitação que Deus mesmo providencia para quem responde, e termina no envio — no momento em que você, já maduro na vinha, sai para semear a Palavra em outros corações.

Mas tudo começa aqui. Com uma voz. Com um convite. Com a decisão de se levantar da praça.

Desafio do Dia

Separe hoje quinze minutos em silêncio, com papel e caneta à mão. Não existe resposta errada — o que importa é a honestidade diante de Deus.

  1. Em que “hora” da minha vida eu ouvi, ou estou ouvindo agora, o chamado de Deus?
  2. O que, até hoje, tem me impedido de responder plenamente a esse chamado — medo, descrença, cansaço, vergonha do passado?
  3. Que “praça” — lugar de acomodação ou espera — eu preciso deixar para trás a partir de hoje?

Depois de escrever, procure uma pessoa de confiança — cônjuge, amigo, irmão de igreja — e compartilhe uma frase sobre o que Deus falou ao seu coração. O chamado que permanece em silêncio raramente produz fruto; o chamado declarado começa a se tornar realidade.

Declaração para Hoje

Chame quem estiver por perto — família, amigos, irmãos em Cristo — e declarem juntos, em voz alta:

“Eu não estou mais parado na praça. Ouvi a voz do Senhor da vinha e respondo hoje: eis-me aqui, envia-me. Não é tarde demais para mim. Há lugar na vinha do Pai, e esse lugar tem o meu nome.”

Você acabou de ler o Dia 1. Faltam vinte.

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Comece a sua jornada

Ninguém chega tarde demais à vinha.

Vinte e um dias para sair da praça e descobrir o trabalho que Deus já preparou para você.

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218 páginas 14 × 21 cm 1ª edição 2026 ISBN 978-65-02-34813-0
A Vinha do PaiUma jornada de 21 dias
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